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Hermes Agent para vibe coding: contexto, AGENTS.md e autonomia com método

Use AGENTS.md e arquivos de contexto para fazer o Hermes Agent entender seu produto, respeitar limites e transformar vibe coding em um processo revisável.

Por Mauro Mequelussi

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Hermes Agent para vibe coding: contexto, AGENTS.md e autonomia com método
Em resumo

Use AGENTS.md e arquivos de contexto para fazer o Hermes Agent entender seu produto, respeitar limites e transformar vibe coding em um processo revisável.

Vibe coding funciona melhor quando a IA recebe contexto que parece uma boa passagem de trabalho: o que o produto faz, quais são as regras, onde ficam os arquivos, como testar e o que ela não pode mudar. Sem isso, o agente tende a produzir uma aplicação plausível em uma pasta que talvez nem pertença ao seu sistema.

O Hermes Agent resolve parte desse problema porque reconhece arquivos de contexto de projeto. Para um produto real, AGENTS.md deixa de ser uma nota para humanos e vira uma interface entre sua arquitetura e o agente que vai operar sobre ela.

O que Hermes Agent lê no seu projeto?

Hermes procura arquivos como .hermes.md, AGENTS.md, CLAUDE.md e regras do Cursor. A prioridade começa em .hermes.md; quando ele não existe, AGENTS.md é a referência principal. Conforme o agente entra em subdiretórios, ele também pode descobrir instruções mais específicas, sem carregar todo o repositório de uma vez.

Isso é útil porque um monorepo raramente tem uma única regra. O Portal pode usar Nuxt, a API pode usar Hono, o banco pode ter rollouts e o painel administrativo pode exigir permissões próprias. O agente precisa descobrir a regra no lugar em que ela vale.

Contexto não é prompt mágico
Um arquivo de contexto não substitui testes nem revisão. Ele reduz ambiguidade: explica o que já existe para que o agente não tente reinventar a arquitetura.

O AGENTS.md que ajuda um agente de verdade

Um bom arquivo de contexto é curto o suficiente para ser lido e específico o suficiente para orientar decisões. Ele responde cinco perguntas:

  1. qual é o produto e quais apps existem?
  2. quais comandos validam uma mudança?
  3. onde estão os contratos, schema e rotas importantes?
  4. quais segredos e dados o agente nunca deve abrir ou registrar?
  5. quais ações exigem aprovação humana?
AGENTS.mdmd
# Contexto do projeto

Aplicação de agenda para pequenos negócios brasileiros.

## Arquitetura
- `apps/web`: Nuxt, interface do cliente;
- `apps/api`: Hono, regras e integrações;
- `packages/db`: schema e rollouts do SurrealDB.

## Regras obrigatórias
- Leia a rota e o contrato antes de editar a interface.
- Não altere migrations ou rollouts existentes.
- Não leia `.env`, arquivos de credencial ou dados reais.
- Não faça deploy, push ou publicação sem confirmação explícita.
- Antes de concluir, rode `pnpm lint` e os testes afetados.

## Como trabalhar
1. Explique o plano e os arquivos que pretende alterar.
2. Faça mudanças pequenas e coerentes.
3. Mostre testes executados, riscos e pendências.

Esse documento não precisa explicar cada função. Ele precisa apontar as fronteiras. Código, testes e documentação específica continuam sendo a fonte para detalhes.

Um fluxo de vibe coding em quatro fases

O erro comum é pedir uma funcionalidade inteira em uma frase e deixar o agente decidir o resto. Um fluxo melhor divide descoberta, proposta, implementação e verificação.

FasePedido ao HermesSaída esperada
descobertaleia contexto, rota e contratoresumo do que já existe
propostaliste arquivos, riscos e critériosplano revisável
implementaçãoaltere só o escopo aprovadodiff pequeno e explicado
verificaçãorode testes e revise o comportamentoevidências e limitações

Para uma tela de orçamento, por exemplo, não comece com “crie um CRM”. Comece pedindo que o Hermes encontre como clientes e propostas são modelados, identifique permissões e proponha a menor mudança viável. A construção vem depois do entendimento.

Planejar antes de escrever códigoHermes Agent

Leia AGENTS.md, a rota de orçamento e os testes relacionados.

Quero permitir que um atendente salve um orçamento como rascunho.

Entregue somente:

  1. entidades e estados já existentes;
  2. arquivos que precisam mudar;
  3. regras de autorização;
  4. critérios de aceite;
  5. plano de implementação em ordem.

Não altere arquivos, não instale dependências e não faça consultas em produção.

Contexto local para regras locais

Uma regra de front-end não deve contaminar o agente que está mexendo no banco. Crie arquivos de contexto em subdiretórios quando as regras divergem.

meu-produto/
├── AGENTS.md                 # visão geral e regras globais
├── apps/web/AGENTS.md        # componentes, acessibilidade e testes de UI
├── apps/api/AGENTS.md        # autenticação, contratos e observabilidade
└── packages/db/AGENTS.md     # schema, rollouts e dados de teste

O ganho é previsibilidade. Ao ler packages/db, o agente aprende que uma mudança de campo exige rollout. Ao trabalhar em apps/web, ele aprende que não deve colocar uma chave administrativa no navegador.

[ CONTEÚDO_INTEGRAL_DISPONÍVEL ]

Continuar: transforme um fluxo validado em skill reutilizável

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Continuação liberada

Cenário brasileiro: produto com LGPD e WhatsApp

Um app de atendimento pode guardar telefone, histórico de conversa, pedidos e dados financeiros. Um agente precisa saber que esses campos existem, mas não precisa receber uma exportação completa para criar uma tela.

No contexto, descreva o princípio e faça o agente trabalhar com dados sintéticos:

  • use cliente:teste em exemplos;
  • não copie CPF, telefone ou conversa real para prompt, log ou issue;
  • prefira ambiente de desenvolvimento;
  • exponha apenas campos necessários a cada tarefa;
  • peça uma revisão de privacidade quando a mudança tocar coleta, retenção ou compartilhamento.

Esse cuidado melhora também a qualidade do produto. O agente fica obrigado a perguntar onde uma operação acontece, quem pode executá-la e qual é o comportamento esperado em erro.

Como pedir uma implementação sem perder o controle

Depois de aprovar o plano, envie uma instrução que preserve decisões importantes.

Implementar uma mudança aprovadaHermes Agent

Implemente apenas o plano aprovado para salvar orçamento como rascunho.

Restrições:

  • mantenha os contratos atuais da API;
  • não altere schema ou migrations;
  • use o padrão de autorização existente;
  • crie ou ajuste testes para rascunho, acesso negado e validação;
  • não faça deploy, git push ou publicação.

Ao terminar, mostre:

  1. resumo por arquivo;
  2. testes executados e resultado;
  3. comportamento que não foi coberto;
  4. qualquer decisão que precise de revisão humana.

Uma instrução assim não deixa o agente “menos criativo”. Ela troca criatividade aplicada ao acaso por criatividade aplicada ao problema certo.

O que não colocar no contexto

Evite transformar o AGENTS.md em um cofre ou em uma documentação infinita.

  • não inclua tokens, chaves, URLs assinadas ou senhas;
  • não coloque dados de clientes, relatórios financeiros ou conversas privadas;
  • não escreva instruções que pedem para ignorar revisão e segurança;
  • não repita arquivos inteiros que o agente pode ler quando necessário;
  • não misture decisões temporárias com regras permanentes.

Hermes faz varredura de arquivos de contexto para padrões comuns de injeção, mas essa proteção não elimina a necessidade de revisar arquivos recebidos de terceiros. Um repositório desconhecido pode conter instruções maliciosas disfarçadas de convenção técnica.

Checklist para um projeto pronto para Hermes

  • existe um AGENTS.md na raiz;
  • os comandos de teste funcionam como estão escritos;
  • ambientes e dados de teste são separados de produção;
  • segredos ficam em variáveis e não em arquivos de contexto;
  • ações de deploy, pagamento e publicação exigem confirmação;
  • cada subdiretório crítico tem regras próprias quando necessário;
  • o agente recebe uma tarefa pequena antes de receber uma missão ampla.

Perguntas frequentes

Hermes usa AGENTS.md automaticamente?

Sim, quando esse é o arquivo de contexto de maior prioridade disponível no projeto. A documentação também descreve descoberta progressiva de arquivos em subdiretórios à medida que o agente navega pelo código.

Posso usar o mesmo AGENTS.md com Codex, Claude Code e Hermes?

Sim. Esse é um bom motivo para manter regras portáveis e específicas do projeto. Evite instruções que dependem de uma interface ou ferramenta exclusiva quando a regra de engenharia é a mesma.

Um contexto grande deixa o agente melhor?

Nem sempre. Contexto excessivo aumenta custo e pode esconder a regra importante. Comece por arquitetura, limites e comandos; deixe detalhes para arquivos e docs que o agente lê na tarefa.

Próximo passo

Escreva um AGENTS.md de uma página, escolha uma funcionalidade pequena e peça somente o plano. Se o plano não refletir seu produto, melhore o contexto antes de dar poder de escrita. Essa é a forma mais barata de evoluir de vibe coding para uma rotina de engenharia assistida.

Fontes e leitura recomendada

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